26 janeiro 2007

Imaginação

Procuro uma razão
e de literal me resta a dúvida.

Sim.
Quero o absurdo,
quero o espelho
da minha negação.

Idealismo ou
encenação,
a minha tara é livre.
Tão simples
que não sei dizer.

Tu que me vês,
diz-me o porquê
da minha imaginação.

Vianna
Novembro/2006

1 Comments:

At 3:44 AM, Blogger Luciana said...

Seus versos são absurdamente lindos... Aí vai um que amo, retirado de "Ilusões do mundo", Cecília Meireles :

Uns cabelos de mar noturno, com ondas, estrelas e caracóis. Assim serão os cabelos da moça de Málaga. O rosto como um jardim de rosas brancas e encarnadas. E a boca de coral fenício; e os dentes, de pérolas, e as sobrancelhas, grandes laços de veludo preto, argolas de ouro nas orelhas, como duas imensas luas, terá a moça de Málaga.Málaga, Malká, Rainha. Rainha queremos a moça de Málaga.
E o colo? Coluna e colinas, tudo entre as espumas da renda, que são da mantilha e do Mediterrâneo. Lá em cima, os olhinhos torcidos, pequenos peixes funâmbulos, em vivos saltos mortais. E muitas sedas, listras, lembranças orientais querendo ser vestidos ou cortinas. Tudo em redor da moça de Málaga.

Depois, o calor que faz! É preciso um leque. Apenas entreaberto, numa breve expectativa, pronto a falar sua linguagem cifrada. Não tanto pelo leque, mas pela pequenina mão, graciosa, arredondada em flor, com um anelzinho de pingentes, gota de orvalho presa à pétala. É preciso que seja assim a moça de Málaga.

 

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